Política & Economia Política
Vereador acusado de injúria racial em Dias D’Ávila já foi denunciado por áudio que relatava esquema de “mensalinho” na Câmara em 2020
Ambos os casos repercutiram na imprensa estadual e federal e reforçam a sensação de impunidade diante de sucessivas crises envolvendo o vereador
23/11/2025 11h26 Atualizada há 7 meses
Por: Ramon Santos (DRT-6448/BA)
Foto: Reprodução

O vereador José Morais de Almeida Júnior, conhecido como Júnior do Requeijão, voltou ao centro das atenções após ser apontado como autor de uma fala de cunho racista contra o comunicador Léo Mineiro. O episódio gerou forte repercussão estadual e federal, foi destaque em diversos veículos de imprensa e levou o Ministério Público Federal a reconhecer que as falas configuram, em tese, o crime de injúria racial.

Este, porém, não é o primeiro caso envolvendo o vereador. Em 2020, Júnior do Requeijão já havia sido denunciado por colegas após a circulação de áudios em que ele relatava um suposto esquema de “mensalinho” envolvendo parlamentares e assessores da Câmara de Dias D’Ávila — episódio que também ganhou destaque na imprensa e provocou pressão política.

Na ocasião, os vereadores Milton Barbosa, Renato Henrique e Raimundo Santana registraram boletim de ocorrência na 25ª Delegacia Territorial após receberem áudios atribuídos a Júnior do Requeijão. Nas gravações, ele descrevia supostos pagamentos irregulares realizados por uma empresa chamada Soten.

Em um dos áudios, Requeijão afirmava:

“Segunda-feira mesmo, depois da sessão, teve o pagamento da ‘Soten’. Tudo na mão. [...] Vereadores, todos recebem mão no saco. Todos são tabelados. Existe um mensalinho ali.”

A suposta empresa mencionada, no entanto, nunca foi localizada em cadastros públicos, aumentando a suspeita sobre a veracidade das afirmações.

Em um segundo áudio, atribuído ao vereador, ele reafirmava o conteúdo:

“O áudio é meu e é legítimo. Procure saber quem recebia e quem não recebia e o senhor vai ver se eu estou falando a verdade ou não.”

O caso ganhou grande repercussão e foi noticiado por veículos estaduais, ampliando o desgaste político do parlamentar.

Os vereadores denunciaram que o áudio colocava toda a Câmara sob suspeita e exigiram que Requeijão apresentasse provas — o que nunca aconteceu.

Raimundo Santana declarou:

“Ele formalizou uma denúncia grave e não apresentou nenhuma prova. Não vamos aceitar nossos nomes envolvidos com corrupção.”

Milton Barbosa reforçou que Requeijão não compareceu à sessão seguinte à divulgação dos áudios:

“Esperávamos que ele se explicasse, mas ele não foi à sessão.”

O caso foi encaminhado ao Ministério Público, e a Polícia Civil investigou a denúncia como calúnia.

Em 2025, a divulgação de um áudio com teor racista novamente colocou o vereador no centro de uma crise política e social. O episódio repercutiu em veículos estaduais e federais, mobilizou entidades de combate ao racismo e reacendeu pressões por responsabilização.

O Ministério Público Federal reconheceu que as falas configuram, em tese, injúria racial, crime de ação penal pública.

Os episódios — o suposto “mensalinho” em 2020 e a acusação de injúria racial em 2025 — revelam um padrão de polêmicas envolvendo o vereador, sempre seguidas de grande repercussão na imprensa e indignação pública.

Apesar disso, nenhum dos casos resultou, até o momento, em responsabilização efetiva, alimentando a percepção de impunidade, tanto entre colegas da Câmara quanto entre setores da sociedade civil.

Com o caso atual, o passado volta à tona, ampliando as cobranças por respostas e medidas mais firmes por parte das instituições competentes.

 
 
 
 
 
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