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Jaca “Some” das Feiras e Preço Dispara na Bahia; Unidade já Custa R$ 70
Com valorização superior a 300%, a jaca atinge o patamar de R$ 70 nas feiras baianas
23/02/2026 19h40
Por: Ramon Santos (DRT-6448/BA)
Foto: Reprodução / Desconhecida

O cenário nas feiras livres e mercados da Bahia mudou drasticamente. A jaca, historicamente conhecida como uma fruta democrática, abundante e muitas vezes doada entre vizinhos, tornou-se o novo "artigo de luxo" da mesa baiana. Em diversos pontos de venda, o preço da unidade já atinge a marca impressionante de R$ 70,00, causando espanto e afastando os consumidores.

O aumento não é apenas uma variação sazonal comum. O que se vê hoje é uma crise de oferta sem precedentes que transformou a dinâmica de consumo no estado.

O principal motor dessa inflação não é apenas o custo de logística, mas a dificuldade real de encontrar o produto. A alta procura, impulsionada tanto pelo consumo tradicional quanto pela crescente demanda da indústria de alimentos vegetais (como a "carne de jaca"), atropelou a capacidade de produção atual.

Para os feirantes, a situação é de "equilibrar pratos". Manter o estoque é um desafio constante e repassar o preço ao consumidor final tem sido a única saída para não amargar prejuízos.

"A gente roda o interior e não encontra. Quando acha, o dono do pé já sabe que o produto vale muito. Para vender uma jaca a setenta reais, a gente tem que explicar muito ao cliente, porque o povo assusta. A solução tem sido vender o gomo na bandeja, mas até a bandeja subiu", explica um comerciante da Feira de São Joaquim.

Raio-X da Valorização (Estimativa de Mercado)

Tipo de Comercialização Preço Médio (Safra Normal) Preço Atual (Crise) Impacto no Bolso
Jaca Inteira (Grande) R$ 15,00 a R$ 20,00 R$ 70,00 Alta de até 366%
Bandeja (Gomos) R$ 5,00 R$ 15,00 a R$ 20,00 Alta de 300%
Jaca de Quintal Grátis / Simbólico R$ 30,00 a R$ 50,00 Valorização Extrema

Além da entressafra e de fatores climáticos que reduziram a produtividade das jaqueiras, a jaca ganhou um novo status no mercado gastronômico nacional. A utilização da fruta verde para preparos sofisticados aumentou a pressão sobre os estoques, fazendo com que a fruta muitas vezes nem chegue a amadurecer no pé, sendo colhida precocemente para atender restaurantes e fábricas de congelados.

Enquanto a nova safra não se estabelece, o baiano terá que exercer a paciência — ou abrir o bolso — para manter o tradicional doce ou o consumo da fruta in natura à mesa. A jaca, pelo visto, nunca valeu tanto.