O cenário político de Mata de São João ganhou novos contornos e expõe um momento de desgaste dentro da oposição. Diante de dificuldades para manter a unidade do grupo e com a relação estremecida com uma das principais lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, o ex-candidato a prefeito Paulo Henrique estaria buscando em Camaçari uma espécie de “abrigo político” para manter sua influência e reorganizar sua posição no tabuleiro, segundo fontes dos bastidores.
A movimentação seria motivada, entre outros fatores, pelo surgimento de novos nomes dentro do próprio campo petista em Mata de São João. Entre eles, passou a ser citado o empresário Felipe Vianna, filho de Hélio Vianna e genro do deputado estadual Rosemberg Pinto, uma das principais lideranças do PT na Bahia.
A presença de Felipe nas articulações políticas teria ampliado as especulações sobre uma possível reorganização das forças dentro do grupo petista no município. Nos bastidores, interlocutores avaliam que o movimento teria aumentado a preocupação de Paulo Henrique com possíveis mudanças no cenário local e com a perda de espaço dentro do partido.
Nesse contexto, a aproximação com Camaçari e com o grupo liderado pela deputada federal Ivoneide Caetano (PT) passa a ser interpretada como uma tentativa de construir uma rede de proteção política. A estratégia seria criar uma espécie de “escudo” diante de eventuais articulações que possam enfraquecer sua posição dentro do campo petista.
A movimentação mais recente envolve nomes ligados ao grupo de Paulo Henrique que passaram a apoiar a reeleição da deputada federal Ivoneide Caetano. Entre eles estão a vereadora eleita Kenya Potência, representante do litoral, e Pedro Henrique, primo de Paulo Henrique, que não conseguiu uma cadeira na Câmara Municipal, mas saiu das urnas com votação expressiva e posição de destaque como suplente.
O nome de Caxixi também aparece nesse movimento, mas sem representar uma novidade, já que o ex-candidato a vereador já havia apoiado Ivoneide Caetano no último pleito.
A principal dúvida nos bastidores é se essa articulação conta com a condução direta de Paulo Henrique ou se integrantes da sua base passaram a buscar novos caminhos diante das dificuldades enfrentadas pelo grupo.
Caso a movimentação tenha o aval do ex-candidato, a aproximação com Camaçari pode ser interpretada como uma tentativa de encontrar fora de Mata de São João o suporte político que enfrenta dificuldades para consolidar dentro do próprio município.
O movimento ocorre em meio ao desgaste público entre Paulo Henrique e Rosemberg Pinto. Em entrevista ao Jornal da Sauípe, da Sauípe FM, o deputado afirmou ter ficado “muito chateado” e “muito decepcionado” com a postura do ex-vereador, alegando ter identificado movimentos nos bastidores para enfraquecer sua base política visando às eleições de 2026.
Segundo Rosemberg, após caminhar ao lado de Paulo Henrique durante a campanha municipal de 2024, ele percebeu articulações para estimular lideranças e apoiadores a seguirem outros projetos políticos.
O deputado também demonstrou preocupação com a pulverização de candidaturas para deputado estadual no município e afirmou que o movimento em relação à sua candidatura poderia atingir também o deputado Osni Cardoso, aliado histórico de setores ligados a Paulo Henrique.
Além das críticas, a declaração que mais repercutiu nos bastidores foi o anúncio de que Rosemberg pretende organizar um novo grupo político em Mata de São João, sinalizando uma possível reorganização das forças dentro do campo petista.
Enquanto Paulo Henrique tenta reagir ao cenário adverso, a oposição em Mata de São João passa por um momento de reorganização interna. Nos bastidores, a leitura é de que Camaçari começa a surgir como uma alternativa estratégica diante do desgaste acumulado e das incertezas sobre o futuro político do ex-candidato dentro do município.