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PM preso como suspeito pela morte de advogada era membro de igreja evangélica em Dias d’Ávila
Ex-conselheiro tutelar, policial atuava como levita e costumava utilizar a frase “Jesus é o caminho, a verdade e a vida”
05/08/2026 13h21
Por: Redação
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O policial militar de 29 anos preso durante a Operação Vendetta, que investiga o assassinato da advogada Cláudia Félix de Oliveira, de 51 anos, era membro de uma igreja evangélica localizada no centro de Dias d’Ávila. No local, ele atuava como levita, função geralmente ligada ao ministério de louvor e às atividades religiosas.

Antes de ingressar na Polícia Militar da Bahia (PMBA), o investigado também exerceu a função de conselheiro tutelar no município. Em suas manifestações, costumava utilizar a frase “Jesus é o caminho, a verdade e a vida”.

O PM foi preso temporariamente por suspeita de participação na ação que terminou com a morte da advogada dentro da casa onde ela morava, em Itororó, no sudoeste da Bahia. A prisão temporária não representa condenação, e a responsabilidade do policial ainda será apurada no decorrer das investigações.

Não há qualquer indicação de envolvimento da igreja, de seus líderes ou dos demais integrantes da comunidade religiosa no crime investigado.

Cláudia Félix foi assassinada a tiros no dia 25 de julho, após homens armados invadirem sua residência. Além do policial militar, um monitor de ressocialização terceirizado, de 27 anos, também foi preso durante a operação.

Segundo a Polícia Civil, os investigados teriam saído de Dias d’Ávila com destino a Itororó na noite anterior ao crime, acompanhados de outros suspeitos.

As diligências apontam que o grupo também esteve na cidade nos dias 20 e 21 de julho. A polícia trabalha com a hipótese de que essas viagens tenham ocorrido para monitorar a rotina da advogada e preparar a ação criminosa.

Em depoimento, o policial militar e o monitor de ressocialização afirmaram que foram até a residência da vítima apenas para realizar uma cobrança financeira. Os dois negaram ter efetuado os disparos.

De acordo com o delegado Roberto Júnior, os presos atribuíram os tiros a um quarto integrante do grupo, que permanece foragido. A versão apresentada será confrontada com os depoimentos, registros de deslocamento, perícias e outros elementos reunidos no inquérito.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o assassinato tenha sido motivado por vingança após um suposto golpe de aproximadamente R$ 6 milhões atribuído ao sobrinho da advogada.

As possíveis fraudes teriam ocorrido no mercado de compra e venda de veículos em Itabuna e outros municípios da região. Segundo o delegado, como os envolvidos não teriam conseguido localizar o homem apontado como responsável pelo prejuízo, a advogada teria sido escolhida como alvo de represália.

O sobrinho da vítima também é investigado por estelionato e poderá ter a prisão preventiva decretada.

Durante a Operação Vendetta, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e três mandados de busca e apreensão em Dias d’Ávila e Lauro de Freitas.

O monitor de ressocialização foi localizado na saída do Conjunto Penal de Lauro de Freitas, onde trabalhava como funcionário terceirizado. Com ele, os policiais apreenderam uma pistola calibre .38 TCP, dois carregadores e 23 munições.

Em dois imóveis ligados ao investigado, situados em Dias d’Ávila, foram encontrados duas pistolas de airsoft, um fuzil de airsoft, um colete tático, 67 estojos de munições de diversos calibres, dois rádios comunicadores e um documento pertencente a outro investigado. Todo o material será submetido à perícia.

A polícia também apreendeu os dois veículos que teriam sido usados no crime. Conforme a investigação, os automóveis eram alugados e um deles circulava com a placa adulterada.

Os presos permanecem custodiados à disposição da Justiça. As forças de segurança continuam procurando o suspeito foragido, enquanto a Polícia Civil trabalha para esclarecer a participação de cada investigado no assassinato.