Política & Economia Politica
Ataques virtuais contra publicações sobre Jerônimo chamam atenção na Bahia
Comentários em massa, seguidores artificiais e perfis fantasmas acendem alerta para a guerra digital nas eleições de 2026
13/08/2026 20h46 Atualizada há 3 horas
Por: Ramon Santos (DRT-6448/BA)
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A disputa eleitoral de 2026 na Bahia começa a ganhar novos contornos nas redes sociais. Publicações relacionadas ao governador Jerônimo Rodrigues e ao PT têm registrado ondas de comentários repetitivos, entrada repentina de seguidores e interações realizadas por contas com características de perfis falsos.

As movimentações aparecem principalmente em conteúdos que repercutem ações, declarações ou resultados políticos envolvendo o governador e seu grupo. Em alguns casos, dezenas de mensagens são publicadas em sequência, repetindo números de candidatos adversários, críticas e palavras de ordem.

Parte dessas contas apresenta poucas publicações, baixo número de seguidores, ausência de identificação clara ou atividade concentrada exclusivamente em assuntos eleitorais. Por essas características, são popularmente chamadas de “perfis fantasmas”.

Apesar dos indícios, somente uma análise técnica das plataformas pode confirmar se as contas são falsas, automatizadas ou operadas manualmente. O comportamento repetitivo, isoladamente, não é suficiente para comprovar a existência de robôs ou de uma ação coordenada.

Um exemplo recente foi registrado em uma publicação do É Notícias sobre o histórico do PT nas eleições para governador em Mata de São João. Após a divulgação da matéria, um único perfil publicou 57 comentários consecutivos, repetindo números associados a ACM Neto e Flávio Bolsonaro.

A quantidade de mensagens, o intervalo reduzido entre elas e o padrão repetitivo chamaram atenção. O comportamento apresenta características semelhantes às ações de spam, utilizadas para ocupar a área de comentários e ampliar artificialmente determinada manifestação política.

O episódio não permite afirmar, entretanto, que a conta seja automatizada ou faça parte de uma operação organizada. Também não existem elementos que vinculem o perfil aos políticos mencionados, às campanhas ou aos respectivos partidos.

Situações semelhantes vêm sendo percebidas em outras páginas e veículos de comunicação que publicam conteúdos sobre Jerônimo Rodrigues e o PT. Entre os comportamentos observados estão comentários idênticos feitos em sequência, curtidas de contas com pouca atividade e crescimento repentino do número de seguidores.

A preocupação ganhou dimensão estadual no dia 1º de agosto, quando a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, denunciou o envio de mais de 70 mil seguidores falsos às contas de Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e Rui Costa no Instagram.

Segundo a federação, a movimentação começou por volta de 1h30 e permaneceu intensa durante aproximadamente cinco horas. O episódio aconteceu no mesmo dia da convenção estadual que oficializou as candidaturas do grupo e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Diante do crescimento considerado incompatível com a movimentação normal das páginas, as equipes responsáveis tornaram temporariamente privados os perfis dos três políticos. A medida buscou conter a entrada dos novos seguidores.

O caso foi comunicado à Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil da Bahia. A autoria, a origem das contas e a possível motivação eleitoral ainda dependem de investigação.

A federação levantou a hipótese de que a movimentação buscava criar a falsa impressão de que as lideranças petistas haviam comprado seguidores. Outra possível consequência seria provocar restrições das próprias plataformas contra as contas atingidas.

Até o momento, não foram apresentadas provas públicas que identifiquem os responsáveis pela ação ou estabeleçam ligação com partidos e candidatos adversários.

A utilização de perfis falsos ou automatizados pode interferir na percepção dos usuários sobre a disputa eleitoral. Uma grande quantidade de comentários não representa necessariamente a opinião de diferentes eleitores, assim como o aumento repentino de seguidores não significa, obrigatoriamente, crescimento espontâneo de uma candidatura.

Essas movimentações podem ocupar espaços de discussão, ampliar artificialmente determinadas mensagens e dificultar a identificação das manifestações autênticas. Veículos de comunicação também podem ser atingidos quando suas publicações são tomadas por comentários repetitivos.

Isso não significa que toda mobilização política organizada seja falsa. A comprovação de uma operação coordenada depende da análise de dados como horários das interações, datas de criação das contas, padrões de publicação, endereços de acesso e informações mantidas pelas plataformas.

As regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral para 2026 permitem a remoção judicial de contas comprovadamente falsas ou automatizadas quando utilizadas reiteradamente para crimes eleitorais ou divulgação de desinformação reconhecida pela Justiça Eleitoral. A medida deve respeitar o direito de defesa. 

Com o avanço da campanha, identificar movimentações artificiais será um dos principais desafios do processo eleitoral. Além da busca por votos, a disputa pelo Governo da Bahia também será travada pelo alcance, pelo engajamento e pelo controle das conversas nas redes sociais.