Uma idosa, de 82 anos, negra, analfabeta, passou 27 anos da sua vida trabalhando para um casal na tentativa de “ter uma casinha”, mas ela nunca recebeu um salário sequer. O casal, formado por uma médica pediatra e um empresário, mantinham a mulher em trabalho análogo à escravidão na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), M.F.N.P e H.J.B, além de não darem os direitos trabalhiscos à doméstica, eles ainda retinham o Benefício Previdenciário Continuado (BCP) que ela recebia. A idosa diz que “não conhecia dinheiro”, de modo que não tinha acesso ao seu cartão de saque, que ficava sob a responsabilidade da pediatra. M.F.N.P e H.J.B diziam que “estavam guardando o dinheiro” para ela.
O casal, que responde à ação civil pública por exploração, teve os bloqueados e terão de transferir para a idosa um valor de R$ 815 mil, com o objetivo de “reparar uma vida inteira de submissão e abusos praticados”. A transferência de um carro pertencente ao casal também já foi alvo do bloqueio. A investigação do MPT começou após uma denúncia anônima.