O risco de perder prefeituras em 2028 pode levar grupos políticos a recorrer novamente às lideranças que ajudaram a consolidar seu poder. Em Salvador e Mata de São João, essa hipótese passa por ACM Neto e João Gualberto, que continuam influentes nos grupos que governam os dois municípios.
Em Salvador, uma eventual candidatura de ACM Neto é discutida como alternativa para preservar a continuidade do grupo que administra a capital com Bruno Reis. O ex-prefeito, porém, afirmou em entrevista à CBN Salvador, na sexta-feira (6), que não pretende disputar o cargo em 2028 e que trabalhará pela formação de novas lideranças. Sua entrada na disputa dependeria, portanto, de uma mudança nessa posição.
Em Mata de São João, João Gualberto permanece como uma das principais lideranças do grupo que governa com Bira da Barraca. A saída da prefeitura e a sucessão pelo aliado mantiveram a continuidade política no município, onde o grupo conquistou sua sexta vitória consecutiva nas eleições de 2024.
Gualberto, que vinha se dedicando aos negócios na Europa, voltou a acompanhar de perto a movimentação política de Mata de São João. Segundo apurou o énotícias, desde junho ele retomou reuniões com funcionários e aliados locais, participando também da mobilização em apoio à candidatura de ACM Neto ao Governo da Bahia.
Mais recentemente, o ex-prefeito esteve em Praia do Forte, na comemoração do aniversário da Fundação Garcia D’Ávila, segundo apurou o énotícias. Sua presença na Bahia ocorre em um momento de reorganização política dos aliados.
Esse cenário ganhou relevância após a derrota de ACM Neto para Jerônimo Rodrigues na disputa pelo governo estadual e a derrota de Flávio Bolsonaro para Lula na eleição presidencial. Neto havia apoiado o candidato do PL no segundo turno, mobilizando seu grupo político na Bahia.
Nesse contexto, a manutenção das prefeituras ganha peso para a sustentação política dos aliados. Em Mata de São João, o acompanhamento das articulações por Gualberto pode contribuir para organizar a sucessão e manter a unidade da base governista.
Caso o grupo não consiga consolidar outro nome competitivo e enfrente uma oposição capaz de ameaçar sua permanência na prefeitura, uma candidatura do próprio Gualberto poderia ser considerada uma estratégia para preservar o comando municipal.
A lógica seria semelhante à hipótese discutida em Salvador: recorrer a uma liderança conhecida para tentar impedir que o poder passe aos adversários. O eventual retorno às urnas serviria, nessa leitura, à continuidade dos grupos e à preservação da influência de seus principais articuladores.
Por enquanto, uma candidatura de Gualberto em 2028 permanece como projeção política. A definição dependerá da avaliação da gestão Bira, da força dos possíveis sucessores, da organização da oposição e da disposição do ex-prefeito.