Um Projeto de Lei (PL) em tramitação no Congresso Nacional tem gerado polêmica ao propor a autorização do porte de arma para conselheiros tutelares em todo o país. A proposta, defendida por seus autores como uma medida de proteção para esses profissionais que atuam na linha de frente da defesa dos direitos de crianças e adolescentes, divide especialistas e sociedade civil.
O PL, de autoria do deputado federal Capitão Augusto (PL-SP), argumenta que os conselheiros tutelares estão frequentemente expostos a situações de risco no exercício de suas funções, especialmente em regiões com altos índices de violência. Segundo o parlamentar, a medida visa garantir a segurança desses profissionais, que muitas vezes precisam intervir em contextos de conflito familiar, abuso e negligência.
A proposta, no entanto, tem sido alvo de críticas de entidades ligadas aos direitos humanos e à infância. Para especialistas, a autorização do porte de arma pode aumentar os riscos de conflitos e gerar um clima de tensão durante as abordagens realizadas pelos conselheiros. Além disso, há preocupação com a possibilidade de as armas serem usadas de forma inadequada ou caírem em mãos erradas.
"O porte de arma pode transformar o conselheiro tutelar em um alvo ainda maior, além de criar uma relação de confronto com as famílias e comunidades. A proteção desses profissionais deve vir por meio de políticas públicas eficazes, não pela arma", argumentou Maria do Socorro, representante do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).