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Festa de aniversário de Dias d’Ávila intermediada por deputado estadual gera polêmica por shows com conteúdo sexual

Evento realizado com apoio de recursos públicos reacende debate sobre cumprimento da Lei Antibaixaria na Bahia

Ramon Santos (DRT-6448/BA)
Por: Ramon Santos (DRT-6448/BA)
25/02/2026 às 20h28
Festa de aniversário de Dias d’Ávila intermediada por deputado estadual gera polêmica por shows com conteúdo sexual
Foto: Equipe / É Notícias

As comemorações pelo aniversário de Dias d’Ávila entraram no centro de uma polêmica após a apresentação de bandas de pagode com letras de teor sexual. O evento, realizado com intermediação de deputado estadual e apoio de recursos públicos do Estado, gerou questionamentos sobre a aplicação da Lei Estadual nº 12.573/2012, conhecida como Lei Antibaixaria.

A legislação, em vigor desde 2012, proíbe que órgãos públicos contratem artistas cujas músicas desvalorizem mulheres, incentivem violência ou exponham mulheres a constrangimentos. A norma também alcança conteúdos com teor discriminatório ou que façam apologia ao uso de drogas ilícitas.

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A Lei Antibaixaria é de autoria da ex-deputada estadual Luiza Maia e foi sancionada pelo então governador Jaques Wagner, passando a valer em todo o território baiano.

Com 14 anos de vigência, a legislação voltou ao centro do debate público. Especialistas apontam que a análise sobre eventual descumprimento depende do conteúdo efetivamente apresentado no palco, do repertório executado e das cláusulas contratuais firmadas entre o poder público e os artistas.

A lei prevê multa de R$ 10 mil ao órgão contratante em caso de descumprimento, além de penalidade que pode chegar a até 50% do valor do contrato para o artista.

O episódio reacende uma discussão recorrente na Bahia: qual o limite entre liberdade artística e responsabilidade na aplicação de recursos públicos? Para setores da sociedade civil, a fiscalização precisa ser rigorosa quando há financiamento estatal. Já defensores das apresentações argumentam que a cultura popular e os gêneros musicais refletem expressões artísticas amplamente difundidas no país.

A iniciativa que deu origem à lei começou em Camaçari, quando Luiza Maia, ainda vereadora, defendeu que verbas públicas não fossem utilizadas para contratar bandas cujas letras difamassem ou expusessem mulheres a situações vexatórias. Posteriormente, o projeto foi ampliado para o âmbito estadual e aprovado pela Assembleia Legislativa.

Ao completar 14 anos em 2026, a Lei Antibaixaria segue como referência no debate sobre políticas culturais e proteção à dignidade das mulheres na Bahia.

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