
Em um mundo cada vez mais conectado e dependente de telas, cuidar da saúde dos olhos deixou de ser apenas uma questão de conforto — tornou-se uma prioridade de saúde pública. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 2 bilhões de pessoas no mundo vivem com algum tipo de deficiência visual, sendo que grande parte desses casos poderia ser evitada ou tratada com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado.
É nesse cenário que a Optometria se destaca como porta de entrada da saúde primária da visão.
A saúde primária é o primeiro nível de atendimento dentro de um sistema de saúde. No caso da visão, envolve a avaliação inicial da acuidade visual, identificação de erros refrativos — como miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia —, prevenção de alterações visuais e encaminhamento, quando necessário, para atendimento especializado.
Segundo a OMS, ampliar o acesso aos cuidados visuais básicos é fundamental para reduzir o número de pessoas com deficiência visual evitável, especialmente em regiões com acesso limitado a especialistas.
A Optometria atua diretamente na avaliação funcional da visão, na prescrição de correções ópticas e na orientação preventiva. O optometrista é o profissional capacitado para realizar exames visuais primários, detectar alterações e encaminhar o paciente para o oftalmologista quando há suspeita de doenças oculares.
Para o optometrista Dr. Jolismar S. Marques, o cuidado primário é essencial para transformar a realidade da saúde ocular:
“A Optometria na atenção primária permite identificar precocemente alterações visuais que muitas vezes passam despercebidas no dia a dia. Quando a população tem acesso a exames regulares, conseguimos prevenir dificuldades na aprendizagem, no trabalho e até problemas mais graves. Cuidar da visão é cuidar da qualidade de vida.”
A deficiência visual não corrigida afeta diretamente a qualidade de vida, a produtividade e o desenvolvimento educacional. Crianças com dificuldade de enxergar, por exemplo, podem apresentar queda no rendimento escolar sem que a causa seja percebida de imediato.
A OMS reforça que investir em cuidados primários da visão é uma das estratégias mais eficazes para reduzir desigualdades em saúde, especialmente em países em desenvolvimento.
Consultas periódicas, mesmo na ausência de sintomas, são essenciais. Dor de cabeça frequente, dificuldade para enxergar de longe ou de perto, olhos ardendo ou lacrimejando em excesso são sinais de alerta.
A Optometria, integrada à saúde primária, não substitui o atendimento médico especializado, mas amplia o acesso, fortalece a prevenção e promove qualidade de vida.
“A atenção primária é fundamental para identificar possíveis patologias e encaminhar, quando necessário, ao médico oftalmologista. Isso ajuda a reduzir filas, especialmente para exames simples de refração, facilitando o acesso aos óculos. Ampliar esse atendimento com qualidade e menor custo é essencial para garantir saúde visual e mais qualidade de vida à população”, afirma Dr. Jolismar Marques.
Em tempos em que a saúde ocular enfrenta novos desafios, como o aumento do tempo de exposição às telas, garantir atendimento visual acessível e eficiente é mais do que uma necessidade: é um compromisso com o bem-estar da população.