
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República representa um novo golpe no projeto político de ACM Neto (União Brasil). Depois de perder novamente a eleição para o governo da Bahia, o ex-prefeito de Salvador apostou na candidatura bolsonarista e encerra a disputa sem conquistar nenhuma das duas vitórias que poderiam fortalecer seu grupo.
O primeiro revés ocorreu na eleição estadual. Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito no primeiro turno, com 55,80% dos votos válidos, frustrando a segunda tentativa consecutiva de ACM Neto de chegar ao comando da Bahia. A derrota presidencial de seu aliado acrescenta outra dificuldade à reorganização da oposição baiana.
O apoio a Flávio foi anunciado em 7 de outubro, depois de encerrada a disputa estadual. Na ocasião, Neto prometeu mobilizar prefeitos, deputados e suas bases eleitorais na Bahia em favor do candidato do PL. A aliança envolvia a perspectiva de suporte de um eventual governo federal ao grupo oposicionista no estado, conforme reportagem da Folha de S.Paulo.
A dimensão dessa aposta apareceu no próprio discurso de ACM Neto. Após perder para Jerônimo, ele passou a defender que seria necessário mudar primeiro o Brasil para depois mudar a Bahia. Politicamente, a mensagem vinculava a recuperação de seu grupo à possibilidade de retirar o PT do Palácio do Planalto.
É essa estratégia que termina no “caixão político”. A expressão traduz, nesta análise, o fracasso da expectativa de compensar a derrota estadual com uma vitória nacional. Neto já havia perdido a própria eleição quando decidiu embarcar na campanha de Flávio; agora, vê cair também a alternativa em que investiu no segundo turno.
Para a oposição baiana, o desafio passa a ser construir um caminho de recuperação diante da continuidade de governos petistas em Salvador e Brasília. ACM Neto conserva uma votação expressiva e uma rede de aliados, mas precisará apresentar uma estratégia capaz de produzir resultados depois de sucessivos reveses.
Ao apostar em Flávio Bolsonaro, o ex-prefeito procurou uma oportunidade de reação. Com a derrota do aliado, termina a eleição acumulando o peso de duas apostas frustradas: conquistar o governo da Bahia e encontrar no Planalto uma alavanca para voltar a disputar o poder estadual em condições mais favoráveis.