
O verão ainda não chegou, mas o calor já tem marcado os dias em Salvador. Nesta segunda-feira (2), feriado de Finados, a capital baiana registrou máxima de 34,2 °C nas estações de Coutos–Escolab e Base Naval de Aratu, segundo boletim da Defesa Civil de Salvador (Codesal). O tempo ensolarado também marcou o feriadão e levou moradores e turistas às praias.
As temperaturas estão acima do padrão histórico para esta época do ano. Conforme explicou o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, ao Metro1, a média das temperaturas máximas de novembro é de aproximadamente 29,8 °C, considerando a normal climatológica de 1991 a 2020 do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Essa referência representa o comportamento histórico do mês, e não um limite para os registros diários.
A tendência é que o calor continue exigindo atenção nos próximos meses. Além da atuação de massas de ar e das mudanças na circulação dos ventos, as condições dos oceanos influenciam o comportamento das temperaturas e das chuvas na Bahia. O El Niño está entre os fatores acompanhados pelos meteorologistas.
Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial, o fenômeno interfere na circulação atmosférica e pode favorecer temperaturas mais altas e redução das chuvas em áreas do Nordeste. Em boletim divulgado em 29 de outubro, o Inmet apontou elevada probabilidade de o episódio atingir intensidade muito forte a partir de novembro, condição popularmente chamada de “Super El Niño”.
Segundo o meteorologista Thiago Barros, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), em informações publicadas pelo Metro1, o calor intenso é observado na Bahia desde o fim de setembro. Algumas localidades já ultrapassaram os 41 °C, e há possibilidade de novas temperaturas superiores a 40 °C no interior entre novembro e dezembro.
Em Salvador, nem mesmo as chuvas passageiras têm garantido alívio duradouro. As precipitações registradas na madrugada e no início da manhã desta terça-feira (3), de acordo com Silveira, estão relacionadas à umidade transportada do Atlântico e à presença de sistemas atmosféricos próximos ao litoral.
Quando o sol reaparece, a evaporação da água pode elevar a umidade do ar e reforçar o abafamento. O Inema explica que a combinação de calor e umidade dificulta a evaporação do suor, reduzindo a eficiência do mecanismo natural de resfriamento do corpo. Por isso, uma chuva rápida nem sempre significa uma sensação de frescor depois.
Para novembro e dezembro, a previsão apresentada pelo Inema ao Metro1 indica chuvas abaixo da média em praticamente toda a Bahia. Ainda assim, podem ocorrer pancadas fortes, acompanhadas de raios e trovões, entre períodos mais prolongados de tempo seco. A avaliação também aponta a possibilidade de o calor acima da média atravessar o verão e alcançar o outono, dependendo da evolução das condições oceânicas e atmosféricas.
Diante da possibilidade de novos dias de temperaturas elevadas, a orientação da Codesal é manter a hidratação, evitar exposição prolongada ao sol nos horários de maior intensidade e procurar ambientes ventilados. Crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis aos efeitos do calor precisam de atenção especial.