
O destino do lixo produzido nas casas e nos estabelecimentos comerciais está em discussão na Bahia. Uma proposta de regulamentação dos sistemas de logística reversa busca ampliar a recuperação de materiais, fortalecer a reciclagem e incentivar a participação de cooperativas e associações de catadores nessa atividade. A consulta pública permanece aberta até 30 de novembro.
Segundo apurou o énotícias, a iniciativa é conduzida pelas secretarias estaduais do Meio Ambiente (Sema) e de Desenvolvimento Urbano (Sedur). Entre os objetivos estão melhorar o acompanhamento do caminho percorrido pelos resíduos e estimular a economia circular, que busca manter materiais em uso por meio do reaproveitamento e da reciclagem.
Para quem vive da coleta e da comercialização de recicláveis, aproximar esse trabalho das empresas compradoras pode abrir novas oportunidades. Em agosto deste ano, oito cooperativas baianas participaram de um encontro promovido pelo Sebrae na região de Feira de Santana, com capacitação e visita a uma indústria em Conceição do Jacuípe.
Uma das participantes foi Aline da Silva Sena, representante da Cooperativa de Trabalhadores em Reciclagem Jaguarari. Em relato publicado pela Agência Sebrae de Notícias, ela descreveu uma mudança na forma de negociar os materiais: “Antes, a gente vendia para atravessadores, agora, estamos começando a vender para a indústria”.
O mercado regional apresenta espaço para essa aproximação. Um levantamento do Sebrae com dez indústrias acompanhadas pela instituição em Feira de Santana e região identificou demanda por 332 toneladas de plásticos recicláveis por mês. O número representa a necessidade de compra das empresas pesquisadas, sem indicar que todo esse volume já esteja sendo fornecido pelas cooperativas.
Em Jussari, no sul do estado, a organização da atividade também trouxe mudanças. A Associação de Catadores de Resíduos Sólidos Recicláveis de Jussari (Reciclart) recebeu consultorias sobre gestão, coleta seletiva e segurança no trabalho por meio do projeto Pró-Catadores.
De acordo com Kylliana Alves, coautora do projeto que deu origem à associação, a reorganização das rotas ajudou a reduzir gastos com combustível e a aproveitar melhor o tempo de trabalho. Em depoimento divulgado pelo Sebrae, ela também relatou crescimento de cerca de 10% no volume de materiais coletados e a chegada de novas parcerias com empresas.
O assunto terá espaço em Salvador neste mês. O Fórum da Circularidade e Inovação na Indústria Plástica da Bahia está marcado para 12 de novembro, das 8h às 13h, na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). A programação prevê discussões sobre políticas públicas, inovação e oportunidades de mercado na cadeia do plástico.
As informações sobre a consulta pública e o acesso ao formulário de participação estão disponíveis no site da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia.