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Expulsão de Alunos por Faixa com Alusão a Estupro Reflete Debate Sobre Machismo e Responsabilidade na Medicina

O caso também expõe a persistência de uma cultura tóxica em trotes e competições universitárias, muitas vezes justificada como “brincadeira” ou “tradição”.

Por: Tatiane Almeida
29/04/2025 às 09h42
Expulsão de Alunos por Faixa com Alusão a Estupro Reflete Debate Sobre Machismo e Responsabilidade na Medicina
Reprodução

A recente decisão da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, de expulsar 12 alunos de medicina por exibirem uma faixa com conteúdo misógino e alusivo ao estupro reacende discussões sobre a formação ética dos futuros profissionais da saúde. O caso, ocorrido em março durante um evento esportivo universitário, mostra como práticas supostamente "tradicionais" podem perpetuar violências simbólicas e normalizar comportamentos inaceitáveis, especialmente em uma área que deveria priorizar o respeito e a dignidade humana.

Na ocasião, os estudantes apareceram ao lado de uma faixa com a frase "entra porra, escorre sangue", trecho de um antigo "hino" da atlética já banido por conter referências sexuais violentas. A expressão, claramente associada à cultura do estupro, evidencia não apenas a falta de reflexão crítica desses alunos, mas também uma desconexão perigosa com a responsabilidade social que a carreira médica exige.

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A expulsão, embora drástica, é um posicionamento necessário diante de atitudes que banalizam a violência contra a mulher. Universidades, especialmente as que formam profissionais da saúde, não podem ser coniventes com discursos que reforçam opressões. A medicina lida diretamente com corpos e vidas, e um profissional incapaz de reconhecer o machismo estrutural em suas ações pode reproduzir discriminações em consultórios e hospitais – onde vítimas de abuso buscam justamente acolhimento.

O caso também expõe a persistência de uma cultura tóxica em trotes e competições universitárias, muitas vezes justificada como "brincadeira" ou "tradição". No entanto, quando essas práticas humilham, objetificam ou glorificam a violência, tornam-se incompatíveis com um ambiente que deveria promover inclusão e respeito. A punição severa da Santa Marcelina sinaliza que instituições de ensino estão, ainda que tardiamente, assumindo seu papel no combate a essas estruturas.

É urgente que casos como esse sirvam de alerta para que outras faculdades revisem suas políticas e promovam debates sobre masculinidade tóxica, consentimento e ética profissional. A formação médica não se resume a conhecimentos técnicos: exige, acima de tudo, humanidade. E nenhum futuro médico pode ser digno desse título se não reconhecer o peso de palavras que naturalizam a dor alheia.

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