23°C 25°C
Salvador, BA
Publicidade

Minha Casa Minha Vida e a velha política do favorecimento

Ramon aponta o padrão recorrente em programas habitacionais, em que o Minha Casa Minha Vida favorece aliados políticos em vez de atender quem realmente precisa

Ramon Santos (DRT-6448/BA)
Por: Ramon Santos (DRT-6448/BA)
27/08/2025 às 20h57
Minha Casa Minha Vida e a velha política do favorecimento
Foto: Reprodução

O Minha Casa Minha Vida nasceu como uma das políticas públicas mais emblemáticas do país. Criado para reduzir o déficit habitacional e oferecer moradia digna a quem mais precisa, o programa deveria ser símbolo de justiça social. No entanto, em muitos municípios, o que se vê é exatamente o contrário: um projeto capturado por interesses políticos e transformado em palco de fraudes, favorecimentos e injustiças.

As denúncias se multiplicam: nomes de servidores com salários acima da média, pessoas ligadas a gestores municipais e até candidatos derrotados em eleições aparecem como beneficiários. Enquanto isso, famílias que vivem de aluguel, em áreas de risco ou em ocupações precárias continuam de fora, presas a uma fila que parece não andar.

O problema está, sobretudo, na forma como as seleções e pré-seleções são conduzidas pelas prefeituras. São elas que montam as listas iniciais, abrindo margem para manipulações. Critérios técnicos e sociais, que deveriam ser a espinha dorsal do programa, acabam sendo engolidos por critérios políticos. O sonho da casa própria, que deveria ser direito, se transforma em moeda de troca eleitoral.

Não se trata apenas de fraude administrativa. Trata-se de um ataque à confiança da população em políticas públicas. Quando uma mãe de família descobre que perdeu a chance de ter um lar porque um funcionário com renda estável foi favorecido, o recado é claro: o sistema não está a serviço dos mais vulneráveis, mas dos mais próximos do poder.

A Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades têm responsabilidade nesse processo. Se a fiscalização fosse rígida, se houvesse transparência absoluta nas listas e punição exemplar para os gestores que burlam as regras, o programa cumpriria seu papel. Mas a fragilidade da fiscalização abre espaço para a repetição de velhas práticas: quem deveria ser atendido continua à margem, e quem não precisa ocupa o lugar que não lhe pertence.

É urgente recolocar o Minha Casa Minha Vida nos trilhos da sua verdadeira missão. E isso só será possível com transparência nas listas, participação da sociedade civil, fiscalização independente e responsabilização de gestores que transformam um direito em benefício pessoal ou político.

O que está em jogo não é apenas um programa habitacional, mas a dignidade de milhares de famílias. O Minha Casa Minha Vida não pode ser mais um capítulo do manual da velha política brasileira.

*Os conteúdos publicados nesta seção expressam a opinião de seus respectivos autores e não representam, necessariamente, a visão ou o posicionamento do É Notícias.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ramon Santos
Ramon Santos
Jornalista destemido, conhecido por sua postura firme e direta. Sem papas na língua, ele não teme expor seus posicionamentos. Se Ramon está certo, ninguém lhe tira a razão. Com uma visão aguçada sobre o cenário político, ele se destaca pela análise crítica e pela busca incessante por transparência. Para ele, o compromisso maior é com os fatos, doa a quem doer.


Ver notícias
Salvador, BA
24°
Tempo limpo
Mín. 23° Máx. 25°
24° Sensação
6.38 km/h Vento
68% Umidade
100% (4.14mm) Chance chuva
05h40 Nascer do sol
17h30 Pôr do sol
Sábado
25° 23°
Domingo
25° 23°
Segunda
25° 23°
Terça
25° 24°
Quarta
24° 23°
Economia
Dólar
R$ 5,42 +0,19%
Euro
R$ 6,35 +0,44%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 622,304,80 -3,33%
Ibovespa
141,422,27 pts 0.26%