
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que os EUA passarão a governar a Venezuela de forma interina após uma ofensiva militar em Caracas que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa. Segundo Trump, o controle temporário do país inclui a gestão direta da indústria petrolífera venezuelana, considerada estratégica por Washington.
Em pronunciamento oficial, Trump declarou que os Estados Unidos irão administrar a Venezuela por meio de um grupo ainda a ser designado, até que haja uma transição de poder. Ele não informou quando esse processo será concluído nem como se dará a transferência do governo para lideranças locais.
“Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos. Temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”, afirmou.
Mais cedo, Trump confirmou que forças norte-americanas realizaram ataques a diversos pontos de Caracas e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa. De acordo com o presidente dos EUA, o casal foi retirado da Venezuela e levado a bordo de um navio de guerra da Marinha americana, com destino a Nova York.
Trump classificou a ação como a maior operação militar dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, afirmando que a ofensiva durou apenas 47 segundos e envolveu forças aéreas, terrestres e marítimas.
“Sob minhas ordens, as Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram uma operação militar extraordinária na capital da Venezuela, empregando um poderio esmagador”, disse.
No discurso, Trump anunciou que grandes petroleiras norte-americanas passarão a atuar diretamente na indústria de petróleo da Venezuela. Segundo ele, o setor foi “roubado” pelo regime socialista e precisa ser reconstruído com investimentos dos EUA.
“Vamos fazer o petróleo fluir. Nossas gigantescas companhias petrolíferas vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura e começar a gerar lucro para o país”, afirmou.
Trump disse ainda que os Estados Unidos “construíram” a indústria petrolífera venezuelana no passado e que agora irão reassumir o controle para garantir estabilidade econômica durante o governo interino. Apesar disso, afirmou que a China continuará recebendo petróleo venezuelano, sem detalhar em quais condições.
Durante o pronunciamento, o presidente norte-americano invocou a Doutrina Monroe, política do século XIX usada historicamente para justificar a influência dos EUA na América Latina. Segundo Trump, o objetivo da nova estratégia é reafirmar a hegemonia americana na região.
“O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, declarou.
Questionado sobre quem assumirá o poder na Venezuela após a intervenção, Trump disse que ainda está decidindo. Ele descartou, por ora, a posse imediata da líder opositora María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025, afirmando que ela “não tem apoio interno nem respeito suficiente”.
O presidente dos EUA revelou ainda que o secretário de Estado, Marco Rubio, mantém diálogo com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que estaria disposta a colaborar com o processo de transição.
Após o início da ofensiva, o governo venezuelano declarou estado de emergência e classificou a ação dos EUA como uma “agressão imperialista”. Em comunicado oficial, Caracas afirmou que o objetivo de Washington é tomar recursos estratégicos do país, especialmente petróleo e minerais.
“O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista”, diz o texto, que também convoca países da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade à Venezuela.
Explosões foram registradas em Caracas durante a madrugada, com relatos de quedas de energia, sobrevoo de aeronaves e danos a instalações militares. A vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou não saber o paradeiro de Maduro e exigiu uma prova de vida do presidente capturado.
A ofensiva ocorre após meses de tensão entre Washington e Caracas. Desde agosto, os EUA haviam elevado para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro e reforçado a presença militar no Caribe. Nas últimas semanas, navios petroleiros venezuelanos foram apreendidos por forças americanas.
Trump não descartou novas ações militares e afirmou que ainda existem integrantes do regime Maduro atuando no país. A intervenção aprofunda a crise política na Venezuela e deve gerar forte repercussão diplomática na América Latina e em organismos internacionais.