
Entre 1997 e 2007, Camaçari/BA viveu a alegria do Camafolia, seu carnaval fora de época que se consolidou como uma das maiores micaretas da Bahia. Com uma pausa entre 2004 e 2006, o evento retornou em 2007 para sua última edição, deixando um legado cultural e afetivo que até hoje é lembrado pelos moradores e visitantes.
A festa atraía grandes nomes da música baiana e brasileira, como Harmonia do Samba, Asa de Águia, É o Tchan, Cheiro de Amor, Babado Novo, Netinho, Margareth Menezes e muitos outros. No último ano, o Camafolia levou para o folião pipoca atrações como Chiclete Com Banana, Kortesia, Patchanka, Cheiro De Amor, Carlinhos Brown, Timbalada, Araketu, Netinho e Margareth Menezes.
O Camafolia era conhecido pela sua megaestrutura: 10 trios elétricos, tenda eletrônica, estacionamento, 1.200 profissionais de saúde, segurança, limpeza e assistência social, 150 barracas de bebidas, 25 de lanche, 50 camarotes, arquibancadas para 750 pessoas e 150 sanitários químicos. Também contava com espaços de conscientização, como o Observatório Racial, combatendo a discriminação.
O circuito do último ano tinha cerca de 3 km, saindo em frente ao Fórum da Justiça do Trabalho, passando pela Avenida Jorge Amado e encerrando na Câmara Municipal. Por ser Camaçari uma cidade a menos de uma hora de Salvador, diversos soteropolitanos desciam a BR para curtir a folia, tornando o evento ainda mais expressivo e representativo da cultura regional.
O Camafolia não era apenas diversão. Durante suas edições, movimentava o comércio local, aumentava a ocupação hoteleira e gerava mais de cinco mil empregos temporários. O evento era democrático, permitindo que grandes atrações tocassem em trios independentes, garantindo participação de todos os foliões, sem cordas.
Além disso, a história do Camafolia é lembrada em exposições culturais, como “De Outros Carnavais”, no Boulevard Shopping Camaçari, que resgata a memória da festa, das fantasias aos abadás, e destaca manifestações culturais locais como o Boi Mirim de Parafuso e o Bloco Sucuiu.
“Buscamos evidenciar a grandeza da história das festas de Momo em Camaçari, como o Camafolia, que não só movimentou a economia, mas também projetou artistas e consolidou a cidade no calendário cultural da Bahia”, afirma o artista plástico Deo Senna, curador da exposição.
Após mais de 15 anos sem ser realizado, o Camafolia permanece vivo na memória afetiva dos foliões. Com seu histórico de sucesso, grandes atrações e apelo popular, a festa fora de época ainda pode voltar a Camaçari, garantindo diversão, turismo e economia para o município, além de celebrar a tradição de um dos maiores eventos populares da Bahia.