
Nos bastidores da política de Dias d’Ávila, cresce a possibilidade de saída do secretário municipal de Cultura, Júlio da Silveira Reis Júnior, conhecido como Júnior de Araci. Segundo fontes ligadas ao governo ouvidas pela reportagem do É Notícias, o gestor — que também é pastor e vereador licenciado — pode deixar o cargo nos próximos dias.
Até o momento, não há confirmação oficial por parte da Prefeitura de Dias d’Ávila sobre eventual exoneração ou pedido de desligamento.
De acordo com interlocutores da gestão municipal, o nome do secretário passou a enfrentar forte desgaste interno após a repercussão de denúncias e críticas relacionadas à condução de editais culturais no município.
As fontes apontam que a pressão não se limita à classe artística, mas também envolve setores políticos da própria administração.
Nos últimos meses, editais financiados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) têm sido alvo de críticas por parte de artistas e produtores culturais de Dias d’Ávila.
Entre os principais pontos levantados estão suspeitas de favorecimento a pessoas próximas ao gestor, incluindo indivíduos ligados ao mesmo segmento religioso do secretário.
O episódio mais recente envolve o Edital nº 002/2026, voltado à encenação da Paixão de Cristo.
No resultado preliminar, o projeto de Davi de Paula Silva (Studio Megaton) foi aprovado com 100 pontos, enquanto o ator Alberto Batista dos Santos ficou como suplente, com 85 pontos.
A decisão gerou questionamentos, especialmente após a identificação, em redes sociais, de proximidade entre o proponente aprovado, o secretário e suas respectivas esposas, todos ligados ao segmento evangélico.
Para artistas ouvidos pela reportagem, o caso reforça uma percepção que já vinha sendo apontada no meio cultural.
Uma fonte, que pediu para não ser identificada, afirmou:
“O que muita gente sente é que a Secretaria de Cultura tem se dedicado mais a fortalecer o próprio segmento religioso do pastor secretário e as pessoas ligadas a ele do que a cultura de Dias d’Ávila como um todo.”
Nos bastidores, a possível saída do secretário também é interpretada por interlocutores como uma estratégia política para preservar a gestão municipal.
Fontes ouvidas pela reportagem avaliam que um eventual afastamento poderia funcionar como uma forma de o prefeito Alberto Castro blindar sua imagem, enquanto as denúncias seguem sendo apuradas.
Entre fazedores de cultura, no entanto, há críticas mais duras. Parte da classe artística aponta o que considera uma “conveniência do prefeito” diante das situações envolvendo a pasta.
“Muita gente entende que houve tolerância enquanto era conveniente. Agora a situação chegou num ponto em que precisa de resposta”, disse outro interlocutor, sob condição de anonimato.
Ainda segundo avaliações de bastidores, o prefeito estaria diante de um “check-mate político”: manter o secretário no cargo pode ampliar o desgaste, enquanto uma eventual saída pode ser interpretada como reconhecimento da crise.
Não é a primeira vez que editais da Secretaria de Cultura são alvo de críticas.
Reportagem anterior do É Notícias mostrou que editais lançados em 2025 tiveram apenas um único habilitado cada, ambos com vínculos com o mesmo grupo religioso do secretário.
Na ocasião, um edital chegou a ser cancelado com a justificativa de garantir a participação de candidatos ligados ao segmento gospel, o que gerou debate entre agentes culturais.
Especialistas em políticas públicas destacam que, embora a legislação permita o financiamento de manifestações culturais religiosas, os processos devem respeitar princípios como impessoalidade, transparência e igualdade de acesso.
Segundo apuração da reportagem, denúncias relacionadas à condução dos editais já foram encaminhadas ao Ministério Público, que poderá analisar eventuais irregularidades no uso de recursos públicos destinados à cultura.
Até o momento, não há decisão oficial sobre os casos.
Diante do cenário, a possível saída do secretário — que também atua como vereador licenciado — é vista como um movimento que pode redefinir o rumo da gestão cultural no município.
A situação, no entanto, segue sendo tratada como articulação de bastidores e depende de eventual decisão do Executivo municipal.
A reportagem do É Notícias procurou a Prefeitura de Dias d’Ávila, a Secretaria de Cultura e o secretário Júlio da Silveira Reis Júnior para comentar as informações sobre uma possível saída do cargo e os questionamentos relacionados aos editais.
Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.
O espaço permanece aberto para esclarecimentos.