
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, anunciou nesta segunda-feira (23) sua renúncia ao cargo, um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que analisa denúncias relacionadas ao caso Ceperj. A decisão foi oficializada durante evento no Palácio Guanabara, sede do governo estadual.
A saída ocorre em um cenário de incertezas jurídicas e políticas. Castro, que sinaliza intenção de disputar uma cadeira no Senado, também é alvo de um processo que pode resultar em cassação. A análise será retomada nesta terça-feira (24), com foco em suposto uso indevido da máquina pública durante o período eleitoral.
Com a vacância do cargo e a ausência de um vice-governador em exercício, a chefia do Executivo estadual passou, de forma interina, ao presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto. A legislação determina que ele conduza o processo para a realização de uma eleição indireta, na qual os deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro escolherão um governador para mandato temporário.
Durante o pronunciamento, Castro afirmou que encerra sua trajetória no comando do estado com sentimento de dever cumprido e que pretende iniciar um novo ciclo político. Ele também relembrou sua chegada ao governo em 2019, após mudanças na gestão estadual decorrentes de um processo de impeachment.
No julgamento em curso no TSE, o Ministério Público Eleitoral aponta indícios de abuso de poder político e econômico, além de práticas vedadas a agentes públicos. Entre as suspeitas estão contratações irregulares de cabos eleitorais por meio da Fundação Ceperj, esquema que também envolveria o ex-vice-governador.
Nos bastidores, a renúncia antecipada é interpretada como uma tentativa de reduzir impactos políticos e jurídicos diante da possível decisão da Corte Eleitoral. Publicamente, no entanto, o ex-governador evitou associar sua saída ao processo em análise.
Agora, caberá à Alerj organizar a eleição indireta que definirá o nome responsável por comandar o estado até o fim do mandato. Uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal reforçou a necessidade de que eventuais candidatos estejam afastados de cargos públicos por, no mínimo, seis meses antes da disputa, o que pode restringir o número de elegíveis.