
O pré-candidato a deputado federal pelo PL, Flávio Matos, ex-candidato a prefeito de Camaçari, concedeu entrevista à Rádio Sauípe nesta terça-feira (13) e apresentou uma pesquisa de consumo interno, sem registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que indicaria sua liderança na intenção de votos em relação à deputada Ivoneide Caetano.
Durante a entrevista, Matos entregou o celular com os dados ao “radialista”, que leu os números a pedido dele. Ele chegou a reconhecer que a pesquisa não estava registrada, afirmando, porém, que os números refletem “o sentimento da população de querer ouvir algo novo”.
Segundo os números apresentados:
Espontânea: Flávio Matos 12%, Ivoneide Caetano 8%, Paulo Azi 5%, Manoel Rocha 5%.
Estimulada: Flávio Matos 27%, Ivoneide 21%, Paulo Azi 20%, Manoel Rocha 15%.
O levantamento também apontou que os principais problemas identificados pela população estão relacionados à segurança pública, e que o atual prefeito registra 47% de aprovação e 44% de desaprovação.
Ao se colocar à frente de Ivoneide Caetano, Flávio Matos tenta atingir diretamente o grupo político liderado pelo prefeito Luiz Caetano. Ivoneide, que poderá disputar a reeleição ou novos cargos em 2026, é uma das figuras centrais do PT na região.
A estratégia de Flávio parece ser a de desestabilizar a base governista, criando um fato político baseado em números que, pela lei, não poderiam ser divulgados sem registro.
De acordo com a legislação eleitoral (Lei nº 9.504/97, art. 33, § 5º):
Registro obrigatório: A partir de 1º de janeiro do ano eleitoral, qualquer pesquisa sobre eleições ou candidatos só pode ser divulgada se registrada no TSE com, no mínimo, cinco dias de antecedência.
Pesquisa vs. enquete: Pesquisas exigem metodologia científica, plano amostral e registro. Enquetes informais podem ser toleradas apenas fora do período oficial de campanha, e devem deixar claro que não têm valor científico.
Consequências legais: A divulgação de pesquisa não registrada pode gerar multas de R$ 53.205,00 a R$ 106.410,00, podendo recair tanto sobre o veículo quanto sobre pessoas físicas.
Responsabilidade jornalística: Portais, rádios e jornalistas têm obrigação de checar a legalidade antes de divulgar números de pesquisa; alegar “apenas reproduzir” não isenta de penalidade.
Especialistas eleitorais alertam que a divulgação de levantamento não registrado, mesmo que de “consumo interno”, pode ser interpretada como irregularidade eleitoral, com abertura de processo pelo Ministério Público Eleitoral ou denúncias de partidos adversários.
O pré-candidato afirmou que não possui estrutura de poder econômico nem apoio político consolidado, e que os resultados refletem apenas o sentimento popular. Ele adiantou que a pré-campanha nas ruas começará em fevereiro, quando apresentará seu candidato a deputado estadual e intensificará sua estratégia política em Camaçari e na Bahia.