
Presentes na rotina de milhões de pessoas, as redes sociais transformaram a forma como a sociedade se comunica, consome informações e constrói relacionamentos. Ao mesmo tempo em que aproximam pessoas, ampliam o acesso ao conhecimento e facilitam a troca de experiências, também têm despertado discussões sobre seus impactos na saúde mental.
Pesquisas e observações clínicas vêm apontando uma relação entre o uso excessivo das plataformas digitais e o aumento de sintomas como ansiedade, estresse, baixa autoestima e dificuldades relacionadas ao bem-estar emocional, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.
Entre os fatores mais frequentemente associados a esse cenário estão a comparação social constante, a exposição a padrões idealizados de vida e a busca por aprovação por meio de curtidas, comentários e visualizações.
A psicóloga clínica Glayce Araújo, pós-graduada em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Psicologia Infantil, além de especialista em Saúde Mental da Mulher, explica que o ambiente virtual pode intensificar sentimentos de insegurança, inadequação e insatisfação quando as pessoas passam a comparar sua realidade com conteúdos cuidadosamente selecionados e editados.
“As redes sociais mostram apenas recortes da vida das pessoas, geralmente momentos positivos e idealizados. Quando alguém compara sua rotina, desafios e dificuldades com essas imagens, pode desenvolver sentimentos de frustração, insuficiência e baixa autoestima”, afirma.
Segundo a profissional, outro aspecto que merece atenção é a necessidade crescente de validação social no ambiente digital.
“Muitas pessoas acabam vinculando seu bem-estar ao retorno recebido nas redes sociais. Quando a autoestima passa a depender da validação externa, existe um risco maior de sofrimento emocional, ansiedade e insatisfação pessoal”, destaca.
A atenção também deve ser direcionada às crianças e aos adolescentes, que atravessam uma fase importante de desenvolvimento emocional e construção da identidade. Nesse contexto, a participação da família e da escola torna-se fundamental para promover uma relação mais saudável com a tecnologia.
“O acesso precoce e sem orientação adequada pode impactar aspectos emocionais, sociais e até cognitivos. O diálogo aberto, a definição de limites e o acompanhamento dos responsáveis são estratégias essenciais para que crianças e adolescentes desenvolvam uma relação equilibrada com o ambiente digital”, ressalta.
Apesar dos desafios, Glayce Araújo enfatiza que as redes sociais não devem ser encaradas apenas como uma ameaça à saúde mental. Quando utilizadas de forma consciente, elas também podem contribuir para a disseminação de informações, o fortalecimento de vínculos sociais, o acesso a conteúdos educativos e a busca por apoio em momentos de dificuldade.
Para construir uma relação mais saudável com a tecnologia, a especialista recomenda algumas atitudes práticas:
“A vida acontece para além das telas. Utilizar a tecnologia de forma consciente significa aproveitar seus benefícios sem abrir mão das relações, experiências e momentos que contribuem para o bem-estar emocional. O equilíbrio continua sendo a melhor ferramenta para uma convivência saudável com o mundo digital”, finaliza a psicóloga.
Diante da crescente presença das redes sociais no cotidiano, especialistas reforçam que o desafio não está em abandonar a tecnologia, mas em aprender a utilizá-la de forma equilibrada, preservando a saúde mental e fortalecendo as conexões reais que fazem parte da vida fora das telas.