
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A saída foi confirmada nesta terça-feira (27) por um aliado próximo do parlamentar e por uma fonte do governo americano.
Flávio deve solicitar asilo político ao governo de Donald Trump após chegar ao território americano, conforme a intenção relatada por aliados. Até a atualização das informações consultadas, não havia confirmação de que o pedido tivesse sido formalizado.
A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibir o senador de deixar o Brasil e determinar a entrega de seus passaportes à Polícia Federal. Como os documentos não foram apresentados no prazo estabelecido, a PF cancelou os passaportes nesta terça-feira.
Na véspera, Flávio havia afirmado publicamente que permaneceria no país. “Nunca pensei em sair do país”, declarou em vídeo nas redes sociais. Na mesma manifestação, prometeu entregar os documentos e contestou a determinação judicial.
A decisão de deixar o território brasileiro contrasta com a postura adotada por Lula diante de uma ordem de prisão em 2018. Mesmo contestando a condenação, o petista permaneceu no Brasil e se entregou à Polícia Federal em 7 de abril daquele ano, após deixar a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.
Em uma gravação feita antes de se apresentar à PF, Lula afirmou que poderia ter deixado o país ou procurado uma embaixada, mas decidiu enfrentar o processo no Brasil.
“Não quis fugir porque quem é inocente não corre, enfrenta os problemas. E quero provar minha inocência”, declarou naquele momento.
As condenações de Lula na Lava Jato foram posteriormente anuladas pelo STF, em 2021, pelo reconhecimento de que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar aqueles processos.
Flávio é investigado no Supremo e nega irregularidades. A determinação de entrega dos passaportes foi tomada no âmbito do inquérito que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz, também investigado e que igualmente nega as acusações.